Pandemia
Superlotação do Pronto Socorro traz preocupação
Chegada do frio, somada à pandemia, aumenta a procura por atendimento
Carlos Queiroz -
Entra ano, sai ano, a chegada do frio na região traz com ele as mais variadas síndromes gripais. E conforme as pessoas vão adoecendo, a primeiro opção é buscar o já sobrecarregado Pronto Socorro de Pelotas. Em meio à pandemia da Covid-19, então, a sobrecarga é ainda mais sentida pelos agentes de saúde.
A superlotação é confirmada por quem precisa recorrer ao serviço. Márcia da Silveira Crizel, 48, estava na frente do portão principal no início da tarde de terça-feira (8), aguardando notícias da mãe, Jurandina dos Santos da Silveira, 65, que recentemente realizou cirurgia. “Até pela gravidade do caso, ela não demorou a ser atendida. Assim que chegou foi encaminhada para o outro lado (Hospital Universitário São Francisco de Paula). Mas tem muita gente lá dentro, pessoas até escoradas nas paredes, nos corredores”, disse.
Segundo Márcia, apesar do grande número de pessoas, os pacientes estavam sendo atendidos rapidamente. Outras pessoas, que não quiseram ser identificadas, deram relatos parecidos: muita gente pelos corredores, mas os atendimentos acontecendo de maneira ágil.
A preocupação com o aumento na demanda do Pronto Socorro chegou ao Legislativo. Há algumas semanas, o presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Pelotas, Marcos Ferreira, o Marcola (PTB), visitou o PS, que àquela altura já apresentava sinais de estar trabalhando acima da capacidade máxima.
“A situação é preocupante pela superlotação. Nós precisamos buscar uma alternativa para desafogar o PS porque esse número de pacientes vai aumentar agora com a chegada do inverno, principalmente pelas doenças respiratórias”, explicou o vereador, líder do governo na Câmara.
Para Marcola, a alternativa mais viável é reabrir leitos que possam estar desativados em outros hospitais do município. Para tratar desta e de outras questões, a Comissão de Saúde convidou a secretária de Saúde, Roberta Paganini - além de gestores do Pronto Socorro e demais hospitais da cidade - para uma reunião na próxima segunda-feira (14).
“A gente sabe que tem a questão da Covid, tem a falta de funcionários, mas queremos saber o que nós podemos fazer para ajudar, é isso que nós precisamos. De hoje (terça) até segunda-feira a comissão vai trabalhar no sentido de ir aos hospitais, ver qual a estrutura que está desativada e ver o que é necessário para ativação dessa estrutura. Porque os mesmos recursos que são gastos com as pessoas que estão dentro do Pronto Socorro podem ser gastos para ativar as enfermarias que estão desativadas dentro dos hospitais”, disse.
Época de maior procura
De acordo com a diretora do Pronto Socorro de Pelotas (PSP), Odineia da Rosa, o aumento de demanda no local se dá em razão da sazonalidade desta época do ano, com o agravamento de algumas doenças crônicas, como hipertensão e coronárias. Odineia informou ainda que o PSP mantém número adequado de equipe para atender com excelência os usuários que buscam o local, porém a regulação dos leitos para internação é feita pela Central de Leitos municipal. Nesse sentido, a Secretaria Municipal de Saúde informou que um dos maiores problemas é a diminuição de leitos de retaguarda ao PS para atendimento de Covid.
Além disso, o PS é referência para outros municípios da região em situações de urgência e emergência e, muitas vezes, os pacientes encaminhados por estes municípios poderiam ser assistidos na própria cidade. Para solucionar essa questão, a secretária Roberta Paganini tem se reunido com gestores da região, solicitando que realizem um trabalho de orientação aos seus hospitais e serviços de pronto atendimento, para que só enviem pacientes para tratamento em Pelotas em situação de urgência e emergência, quando não for possível tratá-los na sua cidade.
No momento a SMS está trabalhando junto aos hospitais para verificar a possibilidade de ampliação de leitos, que possam atender a retaguarda do PSP. Porém, é preciso destacar que mesmo que exista estrutura física para essa ampliação, não há equipes médicas suficientes para tornar viável essa abertura de mais leitos.
Roberta lembra que muitos leitos de enfermaria e UTI foram transformados em leitos Covid, para atender a necessidade da pandemia. Enquanto a crise sanitária não arrefecer, essa estrutura precisará ser mantida. Mas a secretária esclarece que o Município continua buscando soluções para essa questão.
Novo Pronto Socorro
Ainda em 2020, a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) anunciou a construção do Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Pelotas, com capacidade de atendimento regional e macrorregional. De acordo com o secretário de Planejamento e Gestão, Roberto Ramalho, neste momento, o hospital está na fase de execução do projeto, que foi contratado e está em andamento, seguindo cronograma previsto.
Após a entrega do projeto é que será feita a contratação da empresa que fará a obra. A previsão é que isso ocorra ainda neste ano. “São dois momentos distintos. Agora estamos na execução do projeto. Após isso, é preciso ainda licitar a contratação da empresa que será responsável pela construção do hospital”, explica.
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